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A lição de Ariadne

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A propósito de Héracles, recordamos como os heróis gregos cumpriam o papel primordial de eliminar os seres da velha ordem. Em A grande história dos heróis gregos, Stephen Fry diz-nos:

“Os heróis limparam o nosso mundo de terrores ctónicos, monstros nascidos da terra que punham em perigo a humanidade e ameaçavam estrangular o crescimento da civilização. Enquanto o ar, a terra e os mares estivessem infestados de dragões, gigantes, centauros e monstros mutantes, nunca poderíamos espalhar-nos com confiança e transformar o mundo selvagem num lugar de segurança para a humanidade.”

Estamos num período da história em que o Mythos vai, aos poucos, cedendo lugar ao Logos, pelo que os mitos revelam como os Gregos se começam a entender e a conceptualizar o mundo:

“[são] representações da maneira como os gregos se caracterizavam como campeões da ordem e da civilização contra as hordas caóticas de barbarismo e monstruosidade. O que também faz deles representações narrativas da luta pelo domínio dos instintos selvagens, dos elementos obscuros e perigosos da natureza humana.”

É nesta idade dos heróis, para apelar à clássica divisão de Hesíodo, que Héracles surge; mas é também o tempo de um outro herói, seu primo e figura mítica de Atenas: Teseu. Na sua viagem para anunciar a Egeu que é seu filho, o jovem procura imitar as aventuras de Héracles, derrotando Perifetes, Sínis, a Porca de Crómion, Círon, Cércion e Procrustes. Chegado a Atenas, teve ainda de capturar o Touro de Maratona (o mesmo que Héracles tomou na sua sétima tarefa), e fá-lo de uma forma que tem sido entendida como a origem das modernas touradas – nesse exercício de respeito pelo animal que representa a força vital da terra e que os homens procuram dominar.

Tal como Héracles, afastou ameaças de gigantes e bandidos. Mas a verdadeira provação........

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