O realismo é uma mentira confortável
É preciso ser claro sobre uma coisa. Desde sábado que se ouve que a política é o campo da força e não da moralidade; que a geopolítica tem a ver com poder económico, militar, tecnológico e material e não com virtude. Ninguém me contou. Ouvi mesmo em direto. Mas, trata-se de uma ideia feita. E é discutível que essa seja a postura realista e pragmática. É certo que, como todas as ideias feitas, esta tem a sua cota de veracidade, mas, pelo caminho, o rasto está cheio de incoerências e simplificações.
Como Nicolas Laos aponta em The Metaphysics of World Order é inegável que a geopolítica, e a política no seu sentido mais caseiro, implicam poder. E isso não significa, necessariamente, vampirismo ou maldade. Mas se essa fosse a única condição necessária, ainda estaríamos a celebrar os sucessos militares de Átila, o Huno, com regulares sacrifícios humanos. Acontece que Átila dominou do Reno e do Danúbio ao Báltico e de lá até ao Mar Negro, possuindo uma força militar gigantesca, e, todavia, isso não impediu que, após a sua morte e a Batalha de Nedão, o seu império se desintegrasse e desaparecesse do........
