2026, entre o início e o fim
Há um instante, mesmo antes da meia-noite, em que o mundo parece suspenso. Ainda andamos por cá e a nossa lápide não terá gravado o ano 2025. Não é ainda o ano seguinte, mas já não é inteiramente o anterior. O tempo, por uma breve fração de segundo, parece deixar de nos pertencer — ou talvez sejamos nós que, por uma vez, sentimos que não lhe pertencemos. Esse intervalo, essa espécie de ponte invisível entre o que foi e o que ainda não é, expõe uma verdade desconfortável: o tempo não flui como um rio tranquilo, mas como um abismo que atravessamos sem saber onde começa nem onde acaba. E eu que nunca gostei de ter hora marcada para a alegria,........
