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A narrativa não é nossa, mas a consequência é

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07.01.2026

A Europa tem um hábito perigoso: consumir narrativas feitas noutro sítio como se fossem relatórios técnicos. Washington produz enquadramentos, a Europa compra-os prontos. E depois surpreende-se quando paga a fatura.

O exemplo mais recente é a forma como certos dossiês latino-americanos entram no debate europeu. Não entram como problemas com geografia, incentivos, cadeias logísticas e contradições. Entram como etiquetas, “narco”, “terror”, “Estado-pária”, e com elas já vem embutido o menu de respostas. Sanções. Isolamento. Operações. Uma diplomacia de piloto automático, que pode servir a urgência política de quem fala mais alto, mas raramente serve a segurança de quem vive as consequências.

A consequência, para nós, tem nome e porto.

A cocaína deixou de ser uma nota de rodapé na crónica europeia. É parte do nosso problema de segurança interna, de corrupção, de violência e de captura institucional. O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, sediado em Lisboa, descreve uma realidade simples: a cocaína é, depois da canábis, a segunda droga ilícita mais consumida na Europa, com um mercado resiliente e em transformação. E não é só consumo, é logística. Há um relatório europeu recente sobre apreensões em portos que funciona como radiografia do fenómeno: a cocaína domina os volumes apreendidos e os portos tornaram-se “pontos de pressão” com........

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