O autorretrato de Marcelo
A última mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa tem de ser entendida como a confissão de um falhanço pessoal. É verdade que um Presidente da República não governa, nem faz leis. Mas um Presidente da República promove, vigia, influencia, condiciona e trava más decisões. Não é razoável, por isso, que aquilo que Marcelo tenha para dizer aos portugueses, dez anos depois de ter sido eleito, é que o país é o que é por fatalismo. Não tinha de ser assim e o Presidente da República poderia e deveria ter contribuído para que não tivesse de ser assim.
Existem algumas imagens que ilustram os dez anos de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. A imagem do guarda-chuva, em Paris, abre, claro, o álbum de fotografias. O Presidente da República contribuiu, e bem, para o descrispar político no rescaldo da formação da ‘geringonça’. Goste-se ou não do que aconteceu depois das eleições legislativas de 2015, era preciso seguir em frente. Marcelo ajudou a fazê-lo, tal como foi determinante para reconciliar os portugueses com as instituições (Presidência, Governo, Parlamento) depois de anos particularmente duros.
Mas Marcelo teve e tem horror à ideia de ser impopular ou de ser sequer portador de más notícias. Enquanto a lua de mel com António Costa durou, o Presidente da República preferiu não usar a sua magistratura de influência para forçar algumas correções de trajetória (na Saúde, na Habitação, na Educação ou na Imigração, por exemplo) e contrariar o autoconvencimento em que mergulhou o PS. Os........
