A Greve Geral revela um país que não sabe para onde vai
Não tendo participado na greve, gostaria no entanto de partilhar alguns pontos importantes do alto do meu privilégio enquanto trabalhador. Confesso que também fui inspirado por um texto de um ex-Professor meu sobre a matéria, que sempre respeitei bastante, e mais que isso, sempre achei que tivesse pouco palco para aquilo que o seu intelecto tem a oferecer ao país e às pessoas.
Sobre a greve geral do passado dia 11 de dezembro, penso que esta surge num momento em que o país continua preso entre duas concepções de trabalho que já não se enquadram ao século XXI.
Por um lado, um discurso que, apesar de atualizado na sua forma, permanece profundamente enraizado num paradigma produtivista, numa quase veneração da ideia de maximizar a produtividade pelo aumento mecânico da carga laboral e pela redução das “rigidezes”, para a satisfação de uma insaciável fome de consumo.
Por outro, um movimento sindical que baseia numa visão de conflito permanente entre trabalhador-empregador, herdeira de concepções político-ideológicas que nasceram e se consolidaram no pós-Revolução (25A) e que, ainda hoje, condicionam a nossa vida económica. A greve é tanto um sintoma como uma metáfora, é um país que insiste em discutir o trabalho como se estivéssemos em 1975 ou em 1985, quando o mundo já avançou para um novo paradigma, de tecnologia, automação, globalização, altamente competitivo, em que nenhum dos dois lados parece estar verdadeiramente preparado para o que significa trabalhar.
Começo pela questão que, para mim, é central nesta greve: a hiper-instrumentalização do trabalho. Aquilo a que alguns podem chamar modelo pré-neoliberal ou proto-neoliberal. Ou seja, uma ideia embrionária de que a força de trabalho deve ser continuamente optimizada, comprimida, explorada no sentido de aumentar a produtividade agregada sem que isso corresponda a........
