Defendam as mulheres, seus feministas
Num dia quente de verão em Bruxelas, estava sentada ao meu lado uma família. Estávamos dentro de um comboio, com quase quarenta graus, e o pai, para aguentar a canícula, levava uns calções curtos, chinelos e uma camisa fina de algodão.
A mãe, e as três filhas, não tinham tanta sorte: a sua religião exige que as mulheres cubram corpo e cabeça, faça chuva ou faça sol. Aguentem-se.
Mais recentemente, na manifestação de 17 de setembro, em frente à Assembleia da República, cinco mil migrantes juntaram-se para reivindicar o “direito a documentos”, o “reagrupamento familiar”, a “libertação dos imigrantes detidos em centros de instalação”, e exigindo o fim da discriminação.
Não entro, de propósito, no debate sobre essas reivindicações – a sua análise caberá a quem lhes reconheça fundamento.
Mas vou entrar na demografia dos manifestantes que observei, nessa tarde, junto à escadaria da Assembleia: é que, das cinco mil pessoas que lá estavam, só vi quatro ou cinco mulheres migrantes, sem contar com aquelas que andavam de megafone a galvanizar a multidão e que, pelas inflamadas e........
