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Portugal Decide no Local

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04.10.2025

Em outubro, Portugal vai às urnas. Dirão que são eleições autárquicas, que é “local”. Não é. O que está em causa é se os nossos concelhos e freguesias vão ser repartições do passado ou laboratórios do futuro.

A história mostra o poder do concreto. Em apenas 14 anos, Dom João II mudou o destino de Portugal. Não o fez com discursos vazios, mas com decisões que transformaram portos, fortalezas e cidades. Mostrou que o local pode reposicionar o global. Hoje, o princípio é o mesmo: ou fazemos das nossas terras plataformas de futuro, ou ficaremos presos ao papel amarelado da rotina.

Vivemos numa era em que tudo acelera: inteligência artificial, biotecnologia, computação quântica. Tecnologias que já não são ficção científica, são quotidiano. A política, porém, continua a avançar como se estivéssemos no século XX: lenta, pesada, defensiva. Mas a vida das pessoas não espera. Quem não cria habitação acessível, expulsa famílias. Quem não atrai emprego qualificado, perde talento. Quem não investe em saúde preventiva, gasta fortunas em hospitais sobrelotados. Quem não reinventa a educação, condena os seus jovens a empregos que desaparecem antes de começarem.

É nas autarquias que esta diferença se torna visível. É aí que a abstração se torna real: na chave de casa que não existe, no autocarro que não chega, no emprego que não aparece, no centro de saúde que não........

© Observador