Quando o poder abandona as vítimas
Há crimes que não são apenas violações da lei. São ruturas morais profundas. A suspeita de crimes sexuais contra crianças atribuída a Paulo Abreu dos Santos, adjunto da ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro no Ministério da Justiça entre 2023 e 2024, confronta-nos com uma pergunta desconfortável: estamos a fazer tudo o que é razoável para prevenir a reincidência e proteger as vítimas mais vulneráveis?
Este caso, independentemente do desfecho judicial, expõe uma realidade conhecida e persistente. O homem que integrou o coração do Estado, com acesso privilegiado a informação e a redes institucionais, é agora suspeito de centenas de crimes de pornografia de menores e de abusos sexuais contra crianças. Não é um desvio marginal. Não é um acaso isolado. Já não é a primeira vez que alguém proveniente de círculos próximos ao poder, incluindo pessoas ligadas ao Partido Socialista e ao anterior governo sob a liderança de António Costa, se envolve em casos de natureza chocante. Estes episódios reiterados levantam questões graves sobre critérios de escrutínio e responsabilidade política no Governo.
Os crimes sexuais contra menores apresentam taxas de reincidência relevantes, sobretudo........
