Segurança europeia e soberania cognitiva
A discussão sobre a segurança europeia regressou ao centro do debate público. A invasão da Ucrânia, a crescente rivalidade entre grandes potências, a reindustrialização estratégica e o reforço dos investimentos em defesa colocaram novamente a questão da soberania no topo das prioridades europeias.
Mas existe uma dimensão da soberania que continua relativamente ausente do debate: a soberania cognitiva.
Durante décadas, a segurança foi sobretudo entendida em termos militares, económicos ou energéticos. Hoje, porém, as sociedades europeias enfrentam um desafio diferente. O ambiente informacional onde cidadãos, instituições, empresas e decisores operam tornou-se simultaneamente acelerado, mediado por algoritmos e permanentemente contestado.
A quantidade de informação disponível cresce a uma velocidade sem precedentes. Plataformas digitais, redes sociais, sistemas de recomendação e ferramentas de inteligência artificial influenciam diariamente aquilo que vemos, lemos e discutimos. Ao mesmo tempo, a competição estratégica entre Estados e outros atores estende-se cada vez mais ao domínio da informação, da narrativa e da perceção. Não se trata apenas de desinformação. O problema é mais profundo. O desafio consiste em compreender........
