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Caso BES/GES. Demora muito, dr. José Ranito? /premium

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01.04.2019

1. Faltam quatro meses para a investigação ao Universo Espírito Santo comemorar o seu quinto aniversário. Repetindo para que não surjam equívocos: em agosto de 2019, fará cinco anos que o Ministério Público (MP) iniciou as investigações à gestão de Ricardo Salgado no chamado caso BES/GES. Daí a pergunta (retórica) dirigida ao principal responsável por esta situação: José Ranito, o procurador da República que coordena o inquérito desde o início.

É verdade que uma Justiça célere é um conceito algo utópico em Portugal quando falamos nos processos mais mediáticos da criminalidade económico-financeira — verificando-se exatamente o oposto quando analisamos a pequena criminalidade comum em que o Zé Ninguém é apanhado num crime de furto. O que se está a acontecer com a investigação ao Universo Espírito Santo, contudo, já passou todas as marcas do bom senso e permite questionar se alguma vez será feita Justiça neste caso. Porquê? Por quatro razões:

2. Posso estar enganado mas aposto que José Ranito vai optar por seguir, uma vez mais, o caminho dos mega-processos — o que equivale a ir a pé de Valença do Minho a Fátima só para colocar uma velinha a pedir a condenação dos arguidos. Se for o caso, mais do que uma super-mega-acusação que suplantará por larga margem as 3.908 páginas da acusação da Operação Marquês, estaremos perante um autêntico monstro jurídico que dará lugar a uma instrução criminal que levará anos e a um julgamento interminável.

Basta recordar o julgamento do processo principal do caso BPN — o que estava precisamente relacionado com a alegada má gestão de Oliveira Costa que levou ao desvio de mas de 9,7 mil milhões de euros do BPN através do Banco Insular. Em 2009, um ano após a nacionalização do BPN, o........

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