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Presidenciais: um silêncio eloquente sobre ‘vida’

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10.01.2026

Os efeitos da legalização do aborto, no Ocidente, superam, em muito, os trágicos números que, porém, só por si, são esclarecedores. Neste momento em que escrevo (13 de dezembro de 2025), estão registados, no mundo, 43.070.500 abortos realizados neste ano (fonte worldometers).

O número é demolidor: quarenta e três milhões, setenta mil e quinhentos abortos. Quatro vezes a população do nosso país. Os números nacionais também nos deverão (deveriam!) fazer pensar.

Desde o referendo ao aborto, ocorrido em 11 de fevereiro de 2007, praticaram-se, até final de 2024, 289332 abortos, sendo que, de acordo com os dados que a DGS nem sempre faz sair no tempo devido, mais de 96% são por decisão da mulher, até às dez semanas.

Antes de avançar na minha reflexão, expresso uma declaração de interesses. Como humano, sou parte interessada em que se proteja, sem reservas, a dignidade que nos é comum e de que também eu participo.

Oponho-me à ideia de que esta seja uma matéria de natureza individual, pois a vida de um de nós diz-nos respeito a todos e se as leis abandonam alguns (seja à decisão dos seus pais – pai e ou mãe –, seja à dos seus filhos ou demais cuidadores – como no caso da eutanásia –, seja à do Estado – como no caso da pena de morte –, seja à decisão solipsista de cada um como se a sua vida não respeitasse também aos outros…) bater-me-ei por que sejam alteradas essas leis que se subjuga(ra)m a vantagens de circunstância.

Bem certo que, por verificar o silêncio a que se tem votado o assunto ‘aborto’ e ‘eutanásia’, as minhas forças se têm concentrado de forma mais determinada, nestas situações, para mais por se tratar de vidas inocentes, que por força do seu silenciamento, se tornam vozes gritadas às consciências mais atentas.

Somo a esta declaração de interesse uma denúncia. Muitos são os que têm pretendido acantonar esta matéria num reduto político, leitura a que me oponho. A defesa da vida humana, por muito incómoda........

© Observador