Pensões e Política
Está neste momento em causa o relatório sobre a situação da Segurança Social, que foi encomendado pelos serviços oficiais a alguns dos mais conceituados académicos nacionais, de mérito reconhecido e com amplo conhecimento das matérias em causa. O que deveria ser uma oportunidade para enfrentar os riscos originados por um dos mais importantes desafios que se colocam a esta sociedade envelhecida, transformou-se, uma vez mais, numa procissão de enterro das nossas perspectivas futuras. Os media, os Partidos políticos e, por fim, o Governo, concordam afinal todos, em uníssono, que há temas que não devem sequer ser discutidos.
Apesar da importância do momento, todos aproveitaram a ocasião para lançarem pedras uns aos outros e voltaram a falhar no seu dever primeiro, a saber:
– para os meios de comunicação, o de informar sobre o que de importante se passa;
– para os Partidos, o de contribuir para encontrar soluções para os problemas (actuais e futuros) da sociedade;
– para o Governo, o de tomar medidas no interesse geral.
Para os media, Partidos e Governo, o pressuposto continua a ser de que o sistema de pensões é um comboio em andamento, cuja trajectória não deve ser questionada, e que a nossa ambição se deve limitar à procura do melhor conforto possível para a viagem, mesmo que se saiba que o comboio caminha a velocidade certa para o precipício. Estamos, uma vez mais, perante a colossal demonstração da total falência da governação, no seu sentido mais lato.
Este artigo não visa, no entanto, refazer nenhum levantamento da realidade económica e financeira do sistema público de pensões. O tema, que não é nacional, mas que atinge todo o mundo ocidental, tem sido exaustivamente estudado com grande intensidade nos últimos 30 anos. Os estudos são inúmeros e as conclusões........
