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#ObrigadoPassosCoelho

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28.10.2026

Pois é! Há muito que este tema me palpitava no peito. Estive precisamente há um ano para o escrever. Se o tivesse feito, ter-lhe-ia chamado – Não havendo Passos Coelho!

Seria um texto sobre as eleições presidenciais, um texto onde sem nunca o indicar como “o meu candidato”, era fácil prever numa palete onde uns não gostavam de verde, outros de amarelo e muitos de vermelho, ganharia seguramente o cinzento, ou o cinzento Seguro – aqui a ordem dos fatores é perfeitamente irrelevante. Pois é, não o elaborei e agora fazê-lo ficaria demasiado “retrô”.

A pressão para escrever sobre Passos Coelho surgiu-me nas últimas semanas e, como verão, não foi pelas suas últimas aparições em público. A necessidade veio-me de uma outra história, um acontecimento insólito, mas verídico.

Fosse o texto só o título e poderia agradecer a Passos Coelho por ter congregado junto de si as vontades, e votos, que deram fim ao consulado de José Sócrates. Poder-lhe-ia agradecer por ter protagonizado as condições que revelaram, para posterior espanto nacional, quem foi, e é, essa personagem – José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Nesse desvelo, e pelas ligações que ao próprio tinham, ficamos ainda a conhecer outros protagonistas desse período de “fartar vilanagem”: Maria Adelaide de Carvalho Monteiro; António José Carvalho Pinto de Sousa; José Paulo Bernardo Pinto de Sousa; Carlos Santos Silva; Ricardo Salgado; Manuel Pinho; Armando Vara; Joaquim Barroca Rodrigues; Hélder Bataglia; Zeinal Bava; Henrique Granadeiro; Rui Horta e Costa; José Diogo Gaspar Ferreira; Noronha do Nascimento; Fernando Pinto Monteiro e, como numa boa trama de “Pirandelli”, o inevitável motorista – João Perna. Meu Deus, e nada suspeitamos durante treze anos. Só por ter posto esta lista a nu Passos Coelho mereceria, ser toponímia de uma praceta ou, pelo menos, ter uma lápide honorífica. Porém, não é spor essa razão que lhe prestaria tributo.

Podia igualmente ser por ter precipitado o ocaso do consulado de Sócrates e nesse ato ter remetido para os recessos da história figuras como: Pedro Silva Pereira; Jorge Lacão; Eduardo Cabrita; José Magalhães; Ascenso Simões; Diogo Freitas do Amaral; João Gomes Cravinho; Fernando Teixeira dos Santos; Alberto Costa; Mário Lino; Paulo Campos; Marcos Perestrello; Carlos Zorrinho, e ainda o incontornável; Augusto Santos Silva. Tudo figuras que, ou saíram pela porta pequena da história, ou nunca tiveram a lisura de se retratar. Não faltam motivos para agradecimentos.

Podia igualmente ocorrer por ter sido empossado em junho de 2011 como Primeiro-Ministro do XIX governo constitucional e, nessas funções, ter executado o plano de resgate das finanças públicas portuguesas. Plano que, e nunca é demais lembrar, foi negociado e celebrado com a “Troïka” por José Sócrates e o seu governo. Foi um programa exigente que Passos Coelho e os seus ministros interpretaram com o êxito e, pelo qual, a 17 de maio de 2014 readquirimos a nossa soberania financeira. Muito deste sucesso e do que então se conseguiu se deve a Passos Coelho, mas também a António José Seguro que soube ser a oposição que o país de então necessitava. Passos Coelho e o seu governo tinham à altura uma visão para o país. Porém era um plano que o espartilho da tutela externa limitava, mas que nunca lhe limitou o sonho ou a ambição. É assim que deve ser lida a expressão – ir para além da Troïka – fórmula que, como um carrapato, se lhe colou e sempre lhe limitou qualquer intervenção posterior.

Podia agradecer-lhe por isto, mas também pela forma austera, honesta e sóbria como nos conduziu. Poder-lhe-ia agradecer por tudo isto, mas este não é o local para o fazer.

Aliás, se o fizesse ser-me-ia apontada alguma soberba. A sua intervenção refletiu-se nos resultados sufragados na vitória eleitoral que se lhe seguiu. Um juízo público favorável em que obteve 38,5% dos votos, mais cinco pontos percentuais e mais 21 deputados que o partido que........

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