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Paralisar para não crescer

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13.12.2025

As últimas semanas têm sido por demais férteis em discussão política, ideológica, jurídica, económica. Ora a reforma laboral, ora a economia portuguesa, ora as ambições do Governo para os salários dos portugueses.

Sim, leu bem! Ao contrário do que tem sido costume, o Governo tem ambições concretas para os salários dos portugueses. Como seria de esperar, por se tratar de um Governo “de direita”, houve escândalo nacional, histerias esquerdistas, apoplexias marxistas, gritaria situacionista.

Habitue-se o leitor à ironia e ao sarcasmo ao longo deste artigo, pois a poluição coletiva trazida pelo discurso da esquerda não merece outro tratamento.

Para recordar os mais desatentos, o Primeiro-Ministro indicou que pretendia ver Portugal a elevar o seu salário médio para um patamar entre os 2.500€ e os 3.000€, e o salário mínimo para patamares próximos dos 1.600€. O despautério!

Em primeiro lugar, estes patamares não são de todo estratosféricos. O salário médio da Irlanda era de cerca de 3.000€ mensais… em 2007. Hoje é cerca de 4.500€ mensais. A Irlanda é, de resto, um caso de absoluto sucesso.

O salário médio português, de acordo com o Eurostat, cifrou-se, em 2024, em 24.818€ anuais (cerca de 1.700€ mensais). O salário médio da União Europeia, em 2024, foi de 39.800€ anuais. Se fizermos a divisão (dividindo por 14 meses, pois em Portugal tal deve ser tido em conta), a média mensal seria de 2.840€.

Posto isto, o que se permite concluir? Que Luís Montenegro não inventou os números indicados, não apontou demagogicamente ao topo da tabela salarial de todos os países da UE. Montenegro indicou apenas que pretende que Portugal chegue ou se aproxime do meio da tabela da União Europeia, e que deixe de jogar na Liga dos Últimos. Portugal é o 10.º país da UE com salário anual médio mais baixo, superado por portentos económicos como Chipre, Lituânia, Malta ou Estónia, e a uma unha negra da Chéquia, Croácia e Letónia. Portugal joga para não descer na tabela europeia dos salários.

Mas a........

© Observador