O pacote nado-morto
Há tempos li um estudo, feito por Paulo Querido, que classificava no espectro político uma quantidade de pessoas que tinham assinado colunas de opinião em vários jornais (ao longo, creio, de um ano) e que se baseava numa extensíssima análise apoiada por IA. Foi um amigo que me chamou a atenção para isso e o facto de eu (!) lá constar. Fui ler. A metodologia era muito boa e torci o nariz por a minha “classificação” ser de centro-direita.
Eu?! Mas o que é isto? Direita faz favor, o centro é o lugar geométrico de coisa nenhuma, era o que faltava. E pior, apareciam à minha direita pessoas como Maria João Avilez e Helena Garrido. Sem me querer comparar tanto a uma como a outra, e não apenas em questão de notoriedade, disse para os meus botões que o tal Querido era mazé de esquerda e que portanto não se lhe podia pedir excessiva lucidez, ou então a IA era completamente vesga, coisa aliás mais do que provável.
Há dias contei a história à mesa a visitas e uma delas, pessoa de critério, disse que a IA interpretava tudo literalmente, quando eu tendia, falando de alhos, a querer significar bugalhos. Não foi bem assim que ela disse, mas não me vou pôr aqui com gabarolices.
Sosseguei. Sucede que há dias tropecei neste artigo de Helena Garrido e voltei a falar com os botões acima referidos, com os quais tenho grandes monólogos, desta vez murmurando que Helena é leitura obrigatória porque fala em geral com senso e conhecimento de causa, mas desta vez fraquejava nuns pontos. É destes poucos de que adiante me ocupo, podendo-se inferir que com o resto, que é a maior parte, concordo.
Que diz então a preclara? Que…
“… boa parte dos trabalhadores [os do sector privado] não teria condições para o fazer [a greve geral] sem arriscar ficar sem emprego. Claro que isso é um factor de desigualdade.”
Os funcionários públicos podem fazer greve à vontade, que nada lhes acontece (“um funcionário público tem garantias absolutas de um emprego para a vida”). Já os patrões dos privados, que Nosso Senhor, na Sua infinita........
