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Maduro caiu e o direito internacional convidado para funeral

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08.01.2026

Maduro caiu de maduro. Esta é uma memorável ocasião em que a botânica e a política coincidem. O fruto apodrecido desprendeu-se do ramo com um vigoroso abanão das Forças Especiais americanas, a gravidade fez o seu trabalho e o ex-camionista que via Chavez a chilrear em forma de passarinho, jaz preso e apodrece algures na terra de Mandani, irritado e impotente perante a captura de um parceiro ideológico.

Caiu um ditador sem legitimidade interna e sem crédito externo, uma personagem histriónica que confundiu o Estado com um balcão de negócios obscuros.

Sob a sua égide, que continuou a epopeia de Chavez, a Venezuela deixou de ser um país rico para se tornar uma manjedoura, na qual mafias, gangues, políticos da esquerda europeia (como Rodrigues Zapatero e Ken Livingstone), ditaduras e organizações terroristas pastavam à vontade. O narcotráfico de cocaína tratou do grosso do rendimento; as petrolíferas russas e chinesas encarregaram-se da pesca de arrasto, arrebanhando o ouro negro a preço de saldo; e o regime fez de porteiro e proxeneta do seu povo, escancarando portas e cobrando comissões.

Tudo terminou como terminam as caricaturas quando o guionista perde a paciência com o disparate. Do Capitólio à Rocha Tarpeia em menos de um fósforo, eis a trajectória fulgurante do Sr. Maduro, enfim, sentado no banco dos réus, o lugar que melhor lhe assenta, em provável transição para uma pacata vida atrás das grades.

Mal a queda se consumou, a esquerda do costume, atoleimada nas habituais causas perdidas, decretou luto retórico e vestiu-se de carpideira. Sacou da cartilha da “flagrante violação do Direito Internacional” e desencadeou-se em paroxismos apopléticos, esperando que a invocação repetida e ruidosa do jargão jurídico disfarce a ausência de raciocínio e decoro.

Chega a ser comovente. Criaturas que durante anos foram incapazes de produzir um único sussurro crítico enquanto a Rússia violava galhardamente o DI, acordaram subitamente para o Direito com a indignação virginal de donzelas ofendidas.

Para esfriar um pouco as indignações, convém recordar aos juristas de ocasião, que o DI não vive no éter das ideias puras. Vive no mundo real, lugar desagradável onde o poder existe antes da norma e onde a força raramente pede licença à moral. O DI é, na melhor das hipóteses,........

© Observador