O preço, a dignidade e o mito da igualdade salarial
Há um argumento que regressa como uma canção de verão: funções iguais devem ser pagas de forma igual no Estado, para garantir que são “dignas”. Parece bonito, soa moral, mas é um engodo. O que está em causa não é a justiça, é a ilusão de que o salário pode ser decretado de Lisboa para Bragança como se fosse igual.
Um professor em Lisboa precisa de pagar renda, transportes caros, supermercado inflacionado. Um professor em Bragança enfrenta custos muito menores, mas também procura distinta: há excesso de oferta em algumas zonas e escassez noutras. Segundo o INE (2024), a habitação em Lisboa custa cerca de três vezes mais do que em Bragança. Fingir que isto não existe é tão absurdo como dizer que o gelo tem o mesmo valor no verão de Lisboa e no inverno do Polo Norte.
Um custo de vida mais elevado não fixa automaticamente salários mais altos. Mas ao afastar professores de Lisboa, cria escassez — e em mercado livre, a escassez faria subir o preço do trabalho.
No fundo, o salário é apenas o preço do serviço que um professor presta. Tal como o pão sobe quando o trigo escasseia ou a eletricidade encarece com a procura, também o salário docente resulta da relação entre escolas que precisam e professores........
