Tanta terra abandonada
Portugal habituou-se a olhar para a agricultura como um setor do passado. Algo respeitável, quase folclórico, mas pouco relevante para o futuro económico do país. Enquanto isso, apostámos tudo no turismo, nos serviços e na ideia confortável de que “lá fora” é que se produz a sério. Temos território fértil, produtores resilientes, ciência a crescer e acesso privilegiado ao mercado europeu e, mesmo assim, uma agricultura que continua, muitas vezes, a funcionar a custo próprio. Não por falta de talento, mas por falta de visão.
Hoje, a agricultura representa cerca de 2% do PIB nacional. Para alguns, este número prova que o setor já não é central. Para mim, mostra o desperdício de potencial. Num país com clima diverso, solos produtivos, tradição agrícola e capacidade exportadora, a agricultura devia ser um pilar estratégico. Em vez disso, é tratada como um setor que se vai “gerindo”, com programas avulsos, medidas reativas e discursos repetidos. Grande parte dos avanços recentes não veio do Estado. Veio de produtores que arriscaram, de cooperativas que........
