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Gronelândia: o novo realismo da segurança internacional

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12.01.2026

Mais do que a política interna, é a geopolítica, ou, se quisermos, as Relações Internacionais, que se prestam à maior margem de erro diante do que Reinhart Koselleck chamou de períodos ou tempos de aceleração histórica. Diante de mudanças abruptas, a análise com base em factos conhecidos pode tender para a espuma dos dias, e menos para as águas profundas.

Este cenário de margens de erro é agravado diante da mudança de paradigma, em que, situados na Europa, tendemos a olhar para os acontecimentos com a lente kantiana da sociedade das nações, imbuída de valores jusnaturalistas racionais, materializados nos direitos humanos e nas normas jus cogens. O problema é que, num piscar de olhos, esse paradigma foi abalado sobre os escombros do leste ucraniano e pelo redesenho em marcha da geopolítica atual, tornado mais explícito com a captura de Nicolás Maduro no início de janeiro de 2026.

Numa primeira camada de análise, evidencia-se que a captura do ditador venezuelano – assumida sem grande pudor político pela própria administração – teve, entre outros objetivos, aceder aos recursos naturais do país, nomeadamente o petróleo, mas também outras riquezas como o ouro.

Mas essa é apenas uma primeira camada, que fica na espuma dos dias. A segunda diz respeito à recuperação da Doutrina Monroe e do Corolário Roosevelt, em que a América Latina surge como zona de influência (o tal “quintal”) americana, afastando outras influências externas, no caso, a China e a Rússia, cujas relações com a Venezuela e outros países, como Cuba, são vistas como uma ameaça política........

© Observador