Regadio e a ambição Europeia: a caminhar para o abismo?
Comecemos pelo óbvio: Portugal tem um problema real, e existencial, com a (falta de) água. As projeções climáticas não são fake news nem meros alarmismos; são uma crise anunciada. Este não é um debate teórico. É uma discussão brutalmente realista.
O diagnóstico está feito. Diversos trabalhos, planos e projetos foram já desenvolvidos, culminado com a “Estratégia Água que Une” que identifica necessidades de 5 mil milhões de euros para garantir mais e melhor resiliência. O que falha é o “modelo financeiro” e a “vontade política” para que passe de uma estratégia a uma verdadeira materialização da ambição.
Mas andemos um pouco atrás na fita do tempo antes de dissertarmos sobre o que está para vir.
O Plano Estratégico da PAC 2023-2027 foi o nosso ponto de partida. Resultado de uma dura negociação, em que abundavam visões antagónicas sobre o que deviria ser uma política comunitária, o PEPAC assenta em objetivos ambiciosos para a sustentabilidade e uso eficiente da água. Contudo, fruto do desequilíbrio de forças, o valor reservado ao investimento em obra coletiva e privada de regadio, pecou por ser curto face ao clima que nos tem vindo a assombrar.
Mas se o PEPAC original já era financeiramente insuficiente, a 3ª reprogramação, aprovada em fevereiro de 2025, foi a “temeridade” que colocou o investimento agrícola tal qual uma medida meramente paliativa. Esta era a altura em que o atual Governo tinha a oportunidade de fortalecer a ambição. O que fez? Exatamente o oposto.
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