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A nova traição a Cristo

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07.10.2026

Há lugares que dizem muito mais do que aquilo que se vê. Taibeh, pequena aldeia cristã da Cisjordânia, é um desses lugares. Quando os seus habitantes são vítimas de ataques, incêndios, destruição de propriedades, ameaças às terras e se instala o medo de novos postos de colonos israelitas, não está apenas em causa o destino de uma pequena comunidade de cerca de 1.500 pessoas. A questão é muito mais profunda e prende-se com o futuro dos cristãos da Terra Santa.

Taibeh, antiga Efraim, o lugar onde, segundo o Evangelho de São João, Jesus se refugiou com os discípulos antes da Paixão, é hoje a última aldeia da Cisjordânia inteiramente cristã. Mas o seu verdadeiro significado não reside apenas na percentagem de habitantes cristãos, nem nas ruínas da igreja bizantina de São Jorge, cuja origem remonta ao século V. Está, sim, no facto de ali continuar a existir uma comunidade que não é um dado arqueológico, mas uma população viva, com famílias, crianças, velhos, profissionais, agricultores, escolas, trabalho, fé e esperança.

É precisamente esta dimensão que tantas vezes falta ao debate mediático e político sobre a Terra Santa: fala-se muito dos territórios, das fronteiras, da segurança e dos grandes conflitos políticos e militares, mas pouco das pessoas concretas que há séculos dão corpo e vida à sua história.

É bom recordar que os cristãos precederam os muçulmanos na Palestina, como lembrou o antigo ministro das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina, Riyad Al-Maliki, em 2021, e têm um passado comum com os judeus, no Antigo Testamento. A Igreja de Jerusalém é a Igreja Mãe, nascida no próprio coração dos acontecimentos fundadores do cristianismo. Ali foram anunciados o Evangelho, a Paixão e a Ressurreição; dali partiram os Apóstolos. São João Paulo II recordava a responsabilidade de........

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