Portugal perante a IA: usar ou ser usado
Numa altura em que a Inteligência Artificial (IA) se tornou um dos temas centrais do debate global, impõe-se uma reflexão séria sobre o que Portugal deve fazer num domínio que será decisivo não apenas para o futuro da economia, mas para a soberania dos Estados e para a forma como as sociedades se organizam.
A IA não é uma moda passageira. É verdade que existe uma clara bolha acionista em seu torno, à semelhança do que aconteceu com as empresas “dot.com”. Tal como então, muitas irão implodir; mas as melhores, não necessariamente as maiores, mas as mais sagazes e adaptáveis, tornar-se-ão ainda mais fortes, com potencial para dominar o mundo empresarial e político. A IA veio para ficar e para moldar profundamente as nossas vidas, tornando-se uma infraestrutura crítica invisível, tão essencial como a energia, as comunicações ou o sistema financeiro.
Na realidade, a IA já está entre nós e em força. As entidades que a utilizam de forma mais eficaz estão a obter vantagens competitivas claras, ganhos de produtividade significativos e progressos muito relevantes nas suas áreas de atuação. Cada mês de atraso na adoção traduz-se em perda de competitividade difícil, ou impossível, de recuperar.
Mas esta revolução comporta riscos enormes. O primeiro, mais extremo, é o de a IA escapar ao controlo humano e tornar-se dominante, podendo mesmo colocar em causa a sobrevivência da espécie humana.
Segue-se o risco da concentração de poder. Um número muito limitado de países e entidades poderá dominar todos os outros, impondo ideias, políticas e interesses, condicionando decisões económicas, sociais e democráticas e, no limite, levar à servidão e miséria, todos os outros. Hoje, destaca-se o quase duopólio dos Estados Unidos e da China, tanto a nível governamental como empresarial. Dada a progressão exponencial desta tecnologia, é previsível que essa dominância se acentue. Num mundo moldado por IA, a dependência........
