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Investimento Estrangeiro vs. Crescimento Local

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19.08.2025

Portugal tem-se afirmado como uma estrela emergente na economia digital europeia. Com uma força de trabalho qualificada, custos competitivos e uma qualidade de vida e segurança interessantes, o país tem atraído uma vaga de Investimento Direto Estrangeiro (IDE), especialmente no setor das Tecnologias de Informação (TI). Empresas internacionais têm estabelecido Centros de Serviços Empresariais (Business Service Centres – BSCs) e/ou adquirido várias empresas portuguesas, transformando o panorama local.

Embora este fluxo de capital estrangeiro traga benefícios inegáveis ao nível de emprego, exposição internacional e resiliência económica, levanta também questões importantes. Estamos a fazer o suficiente para apoiar o crescimento de empresas locais, de propriedade e gestão portuguesa? E quais são as implicações a longo prazo de nos tornarmos um polo de operações estrangeiras sem manter o poder de decisão ou reinvestir os benefícios económicos na economia nacional?

Este artigo explora o equilíbrio necessário entre acolher o IDE e fomentar o crescimento de empresas portuguesas no setor de software e serviços de TI.

O Sucesso do IDE em Portugal

Ao longo da última década, Portugal tornou-se um destino privilegiado para operações internacionais de TI. Estima-se que o país tenha atualmente mais de 100.000 profissionais de desenvolvimento de software e, além da aquisição constante de empresas portuguesas por congéneres estrangeiras ou fundos de investimento, Lisboa e Porto têm-se destacado como polos agregadores para empresas globais que querem estabelecer BSCs em geografias competitivas.

Este crescimento tem sido seguramente impulsionado pela diversidade linguística da força de trabalho em Portugal, pelas instituições académicas de qualidade, pela competitividade económica dos nossos salários, pelo ótimo trabalho de atração feito pela AICEP e pelo aumento da força de trabalho qualificada através da imigração.

Segundo o relatório Business Service Centres in Portugal 2025 da IDC e AICEP, cerca de 100.000 pessoas trabalham em BSCs em Portugal, sendo que funções de TI e desenvolvimento de software estão presentes em cerca de ¾ desses centros.

A reputação de Portugal como destino de nearshoring também se tem consolidado, com os centros de serviços a exportarem a grande maioria dos seus serviços (tipicamente para clientes internos).

Adicionalmente a estes novos BSCs é de realçar que, as grandes consultoras........

© Observador