Portugal: o país que se habituou a crescer pouco
Portugal tem um problema de que todos falam, mas que poucos parecem verdadeiramente dispostos a resolver: cresce pouco, produz pouco e conforma-se demasiado depressa com isso.
Há décadas que Portugal anda a discutir reformas. Há décadas que governos prometem modernizar o Estado, acelerar a Justiça, reduzir a burocracia, melhorar a educação, estimular o investimento, aumentar a produtividade e criar condições para melhores salários.
E, no entanto, continuamos essencialmente no mesmo lugar.
Ou pior: enquanto discutimos, outros países avançam.
Desde 1999, a economia portuguesa cresceu, em média, cerca de 1,1% ao ano. Não é um pormenor estatístico.
Portugal não é condenado à pobreza. Mas está condenado ao atraso se continuar a crescer a este ritmo.
O emprego não pode esconder a falta de produtividade
Durante anos, celebrámos a criação de emprego como se ela, por si só, fosse sinónimo de progresso económico.
É claro que ter mais pessoas a trabalhar é positivo. Mas uma economia moderna não pode depender indefinidamente de colocar mais pessoas a trabalhar para conseguir crescer. O verdadeiro salto económico acontece quando cada trabalhador consegue produzir mais valor.
É isso que significa produtividade.
E é precisamente aí que Portugal falha.
Se queremos melhores salários, precisamos de empresas mais produtivas. Se queremos empresas mais produtivas, precisamos de investimento, inovação, capital, trabalhadores qualificados, boa gestão e regras que não penalizem quem quer
Portugal tornou-se especialista em adiar.
Adia a reforma da Segurança Social porque é politicamente incómoda.
Adia a reforma da Justiça porque ninguém quer enfrentar interesses instalados.
Adia a reforma........
