Sustentabilidade já não é sobre salvar o planeta
O ano está a terminar e deixa uma mensagem difícil de contornar: a sustentabilidade deixou
de ser um tema moral, ambiental ou reputacional. Passou a ser um tema operacional. Aquilo
que antes era visto como um “extra, um nice to have” passou a ser infraestrutura crítica do
negócio e da sociedade.
Durante anos falámos de sustentabilidade como intenção e compromisso. Em 2025, começámos a
senti-la como condição de funcionamento. Cheias, secas, incêndios, falhas energéticas, cadeias de
abastecimento interrompidas. Tudo isto deixou de ser excepção e passou a fazer parte do risco
normal com que empresas, estados e cidadãos convivem.
A COP30, no Brasil, refletiu bem esta tensão. O mundo reconhece a urgência climática, mas hesita
quando as decisões ameaçam modelos económicos existentes. Falta ainda alinhar a ambição
climática com uma pergunta simples e prática: como manter economias, empregos e serviços a
funcionar num contexto de incerteza e choque permanente? Enquanto essa resposta não for clara,
a transição continuará a avançar aos solavancos.
Na Europa, 2025 foi o ano em que a palavra “realismo” começou a substituir........
