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A geração do quarto escuro

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Caminhamos a passos largos para o triunfo absoluto do isolamento doméstico. O leitor decerto recorda a promessa idílica que nos venderam há uns anos de que o teletrabalho seria a libertação final do homem moderno. Acabariam as filas de trânsito compactas, o suplício dos transportes públicos sobrelotados e a tirania do relógio de ponto. A casa passaria a ser o castelo da produtividade. O que se esqueceram de nos explicar é que, ao transformarmos as nossas salas em escritórios, transformámos também as nossas vidas num perpétuo e claustrofóbico dia de trabalho.

A ironia é puramente portuguesa nesta nossa asinina incapacidade de prever o óbvio. Substituímos o calor, ainda que por vezes irritante, do convívio humano pelo brilho azul e gélido de um monitor de computador. O colega de secretária que pedia uma caneta ou com quem se partilhava um desabafo na pausa do café a meio da manhã foi sumariamente demitido. No seu lugar, instalou-se a Inteligência Artificial; o colega perfeito, não é verdade? Não se queixa, não adoece e responde em segundos. Mas experimente o leitor pedir um sopro de empatia a um desses Chat I.A. Peça-lhe que entenda o........

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