Acordo assinado. O mundo por cumprir!
Fechar um acordo não é o mesmo que construir a paz. Esta distinção, simples de enunciar, sistematicamente ignorada, atravessa todas as crises geopolíticas em curso e define o momento em que vivemos. No Médio Oriente, na Ucrânia ou nos tribunais de Washington: o padrão repete-se com uma regularidade que já não permite falar de coincidência. O anúncio é sempre fácil. A entrega, o comportamento que muda, o fogo que pára, o acordo que se cumpre, é o que fica para depois das TV´s se irem embora.
O memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão nasceu como uma troca simples: sem armas nucleares iranianas, em troca do Estreito de Ormuz aberto ao comércio mundial. Catorze pontos depois, o documento tinha engolido a esperança da paz com a Rússia a classificar o próprio Estreito como a “arma nuclear” do Irão. A tinta ainda não estava seca e já drones iranianos atingiam navios-cisterna, aviões americanos bombardeavam o Irão e o Irão atacava bases dos EUA no Kuwait e no Barém. Trump ameaçou, uma vez mais, “completar o trabalho”. Agora ambos os lados concordaram em cessar as hostilidades e reunir-se no Qatar. Uma trégua que precisa de ser reassinada a cada dia que passa não é paz, é um sopro cardíaco.
O acordo Israel-Líbano ilustra com clareza o que acontece quando se pede o impossível e se chama a isso diplomacia. O acordo condiciona a retirada israelita ao desarmamento da Hezbollah pelo exército libanês, uma força tão descapitalizada que depende de transferências avulsas de Washington para pagar aos seus soldados, enquanto a Hezbollah recebe estimativamente 50 milhões de dólares por mês só para reconstrução. Pedir a este exército que desarme aquele braço terrorista do Irão é equivalente a enviar um segurança de centro comercial para desmantelar uma força armada regular. O impasse é estrutural: a Hezbollah não entrega as armas enquanto tropas israelitas ocuparem solo libanês; Israel não se retira enquanto a Hezbollah mantiver as armas. Cada parte tem todos os incentivos para não ceder. Em teoria dos jogos, a rejeição mútua é o equilíbrio estável e ambos os contendores estão........
