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A IA ficou barata. Sair dela não

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24.04.2026

A inteligência artificial ter-se tornado barata não devia tranquilizar ninguém, devia um aviso. O custo de inferência de sistemas com desempenho ao nível do GPT-3.5 caiu mais de 280 vezes em menos de dois anos. É um feito tecnológico extraordinário, mas há uma leitura económica menos confortável: uma tecnologia que fica muito mais barata de produzir pode tornar-se muito mais cara de abandonar. É esse o ponto em que entrámos. Sei-o por experiência própria: uso IA todos os dias para programar, analisar documentos e construir ferramentas internas. Reorganizei o meu próprio trabalho em torno dela antes sequer de perceber que o estava a fazer. As plataformas chegam à fase de monetização quando empresas e profissionais já reorganizaram parte do seu trabalho.

Há uma regra clássica de mercado, comum a indústrias muito diferentes: subsidiar a entrada, monetizar o hábito. Foi isso que a IA generativa fez. Planos gratuitos generosos, quotas de utilização amplas, fricção mínima à experimentação: a abundância serviu para acelerar a adoção antes de estabilizar o preço real. Foi aí que se ganhou o hábito, e é por isso que a discussão séria deixou de ser sobre entusiasmo tecnológico e passou a ser sobre poder negocial. Os sinais estão à vista, a OpenAI já testa anúncios no ChatGPT para utilizadores gratuitos e do plano Go nos Estados Unidos. A Google mantém um........

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