Violência doméstica e alienação parental
No primeiro artigo, “Alienação Parental Antes do Divórcio: Os Sinais que José Não Reconheceu (I)”, acompanhámos o testemunho do José sobre os primeiros sinais de alienação parental que hoje reconhece terem surgido ainda durante o casamento. No segundo artigo, “Alienação Parental: Quando o Casamento Chegou ao Limite (II)”, acompanhámos a evolução dessa realidade até ao momento da rutura conjugal. Neste terceiro artigo, aprofundamos uma dimensão particularmente relevante do seu testemunho, a forma como o José interpreta, hoje, as experiências de violência psicológica, emocional e física que refere ter vivido durante o casamento e o impacto que lhes atribui na sua autoestima, na confiança em si próprio, no exercício da parentalidade e na decisão de terminar a relação. O seu relato permite refletir sobre a importância de reconhecer que a violência doméstica pode assumir diferentes formas e que, em alguns contextos familiares, poderá coexistir com dinâmicas que dificultam o exercício da coparentalidade e comprometem a relação da criança com um dos progenitores. Embora se tratem de fenómenos distintos, cuja avaliação deve ser sempre individualizada, compreender estas dinâmicas é essencial para promover intervenções precoces centradas na proteção das vítimas e, sobretudo, no superior interesse das crianças.
A violência que nem sempre deixa marcas visíveis
Ao refletir sobre o período que antecedeu a separação, o José fez questão de sublinhar que o episódio de agressão física que descreveu não aconteceu isoladamente. Na sua perspetiva, já existia um percurso marcado por outras formas de violência, menos visíveis, mas igualmente destrutivas. Partilhou-nos que: “Embora em todo o percurso que já tinha vivido durante o casamento não tenha havido agressões físicas, mas tenha havido agressões psicológicas e emocionais grandes. Isso também é violência doméstica. Você sabe que eu acho que hoje em dia, desperto para este flagelo, eu acho que a forma mais comum de alienar, de começar a alienação, não é só a agressão verbal, daquilo que normalmente nós entendemos por agressão do género vocabulário, mas é o menosprezar e o deitar abaixo a outra pessoa. É o constante fazer ver que a outra pessoa não presta, não serve, não sabe fazer, não é suficientemente boa. E, portanto, alguém que tenha, ou que não tenha, neste caso, eu não vou dizer o ego, mas uma confiança nela própria, de alguma forma estável, facilmente afunda”. Este testemunho evidencia a forma como o José interpreta hoje a experiência que viveu. Na sua perspetiva, a violência numa relação não se resume à existência de agressões físicas. Descreve-a como um processo contínuo de desvalorização, de crítica e de........
