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Monarquia - a grande vencedora da Eleição Presidencial?

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04.01.2026

A eleição do Presidente é, possivelmente, o melhor momento para questionar a nossa própria República enquanto instituição política. Uma eleição com mais de 10 candidatos, em que nenhum parece ser capaz de ir além de 25% dos votos à primeira volta, parece ser a ocasião perfeita para essa mesma questão existencial sobre o sistema em vigor. É muito provável que o nosso próximo Presidente não será a primeira escolha de 75% dos eleitores, uma larga maioria. É partindo deste ponto que se torna relevante olhar para o sistema que o precedeu, e da forma abrupta e controversa como terminou, uma instituição que em Portugal resistiu à mudança dos tempos durante 8 longos séculos: a Monarquia.

O 25 de Abril é um marco histórico muito presente na consciência coletiva dos portugueses. Ainda estão vivos muitos dos que pertencem à última geração que vivenciou a reta final do Estado Novo e o conturbado período pós-Revolução. O 5 de Outubro, pelo contrário, assume hoje o papel de apenas mais uma data festiva no calendário, uma Implantação da República distante no tempo, que ninguém atualmente vivo presenciou, cujas histórias e seu significado foram-se já esbatendo ao passar de geração em geração. É quase como o 1 de Dezembro, sabemos que aconteceu, está nos livros de história e temos consciência da sua importância, mas não está vivo na nossa memória coletiva. E para avaliar o estado do nosso sistema republicano atual é fundamental perceber como este foi implementado, e qual o seu berço sociocultural.

Novamente a comparação, ao contrário do 25 de Abril, que surge principalmente como revolta das forças armadas contra uma guerra que se arrastava há muito, e com um enorme apoio popular contra um regime em evidente decadência, a revolta republicana nasce no seio de uma pequena elite urbana (predominantemente lisboeta), com o desconhecimento popular geral no resto do país. E esta não é uma elite apenas de classe social e intelectual sem organização, o golpe republicano e o movimento por trás do mesmo tiveram uma enorme influência maçónica, impossível de ignorar. A maçonaria é uma instituição já com vários séculos, quase secreta, da qual apenas se conhece a sua existência, não sendo claros os seus objetivos e o que se discute no seio das lojas maçónicas. O que a própria maçonaria não nega é que se trata de um grupo muito elitista, do qual fazem parte várias figuras da nossa democracia e de outras áreas de influência na sociedade, e que funciona como uma espécie de irmandade secretiva. Muitos dos seus membros mais influentes militavam no Partido Republicano durante o período pré-regicídio, e considera-se que a maçonaria foi de certa forma o “cérebro” por trás da conspiração contra o Rei e da revolução subsequente. O Partido Republicano foi a face oficial e reconhecida da revolução, a maçonaria o cérebro a trabalhar nas sombras, e a carbonária o seu braço armado, esta última também uma organização secretiva, de cariz mais popular e constituída essencialmente por homens da plebe lisboeta e de diferentes ramos das forças armadas. Assim, a República Portuguesa surge não de uma revolta e vontade de mudança global, de grande apoio popular de norte a sul do país com a concordância das diferentes camadas sociais, mas sim de uma elite a trabalhar nas sombras para derrubar um regime que consideravam não servir as suas crenças, valores e ideias. Nasce de uma postura arrogante e prepotente, um espírito de superioridade em que uma elite “bem-pensante” se acha no........

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