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Ser de direita não chega

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13.02.2026

No discurso de derrota das presidenciais, André Ventura assumiu-se como o líder da direita portuguesa. A afirmação não surgiu num momento de vitória nem como síntese de um programa. Surgiu como leitura política de um resultado e é precisamente por isso que merece ser levada a sério.

Ventura não se apresentou como liberal ou social democrata, nem tentou apropriar-se dessa linguagem. Disse algo mais simples e, por isso, mais ambicioso: afirmou-se como líder da direita. Sem adjetivos. Sem qualificações. Como se a direita fosse um bloco homogéneo, ideologicamente coerente e naturalmente convocável.

É aqui que começa a confusão.

A direita nunca foi uma coisa só. A direita liberal, a direita conservadora e a social-democracia de matriz europeia partilham pontos de contacto, mas partem de pressupostos muito diferentes. Misturá-las sob o mesmo rótulo pode ser politicamente útil — sobretudo num discurso pós-derrota —, mas é intelectualmente pobre.

Quando alguém reivindica para........

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