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A economia do ano e o país do costume

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31.12.2025

Portugal foi eleito “Economia do Ano” pela The Economist. É uma distinção que soa bem, dá para discursos e rende excelentes slides. Mas, depois de fechar o artigo, o leitor português continua a fazer exatamente o mesmo que fazia antes: contas.

Crescemos mais do que a média europeia, dizem-nos. Com estabilidade orçamental, responsabilidade e maturidade institucional. Tudo certo. Mas há algo que não bate certo quando o prémio internacional colide com a vida real: o país premiado é o mesmo onde a habitação virou ficção científica, os salários um teste de paciência e o Estado um parceiro omnipresente que nunca chega atrasado — apenas chega sempre mais pesado.

Talvez seja esta a nossa verdadeira competência: parecer melhores por fora do que por dentro. Não é um defeito exclusivo. É apenas uma arte que fomos aperfeiçoando com método e algum treino histórico.

A macroeconomia gosta de gráficos elegantes. A vida real prefere recibos e filas. A primeira........

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