Feminismo para conservadores
Sou feminista. Cresci num meio profundamente conservador. E só ao fim de muito tempo aprendi que isto não tem que ser um problema, nem sequer uma contradição. O feminismo não é coisa de mulheres zangadas — é uma agenda de bom senso que a maior parte dos conservadores defendem, quando não estão preocupados em preencher rótulos ideológicos.
Ser feminista não é ser de esquerda ou de direita – é acreditar na igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres. Só isso. Que infelizmente ainda é tanto.
Como a maioria das mulheres à minha volta, cheguei tarde a este entendimento. Cresci no Portugal democrático dos anos 80, onde me parecia garantida a promessa da igualdade conquistada com o 25 de Abril (que tantas vezes ouvi ser criticado aos almoços de Domingo em casa da minha avó). Estudei, namorei, viajei, conduzi. Votei.
Tirei um curso superior rodeada de outras, muitas, jovens mulheres. Se aos vinte anos me tivessem perguntado se era feminista, teria dito que não — sem hesitar. O feminismo parecia-me reservado a outro tipo de mulher, a das caricaturas: radical, intransigente, que odeia os homens.
Depois passei mais de uma década a trabalhar em programas internacionais na Ásia e em África — com a União Europeia, com as Nações Unidas e com várias organizações não governamentais—, onde vi de perto o que acontece quando as raparigas não têm acesso à educação. Quando o casamento infantil é normalizado como uma transacção económica.
Quando a violência doméstica é generalizada e tratada como assunto de........
