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Entre o impulso imperial e o travão democrático

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09.01.2026

Há uma leitura fácil — e perigosamente superficial — da política externa norte-americana sob Donald Trump: a de um regresso puro e simples ao imperialismo clássico, impulsivo, unilateral e desancorado das instituições. Essa leitura falha um ponto essencial. Os Estados Unidos continuam a ser uma superpotência, mas são também uma democracia constitucional profundamente condicionada pela sua política interna. E é precisamente aí que reside o verdadeiro travão às decisões externas mais audaciosas.

É inegável que os Estados Unidos têm hoje vários “alvos externos” estratégicos bem definidos. O Irão permanece no centro da equação do Médio Oriente; a América do Sul vive um momento de possível reconfiguração ideológica; o Ártico — e em particular a Gronelândia — emerge como peça-chave num tabuleiro geopolítico cada vez mais disputado. O que mudou não foi a lista de prioridades, mas a forma como estas são condicionadas por fatores internos, eleitorais e institucionais.

Donald Trump sempre afirmou que o sistema internacional estava a caminhar para ruturas profundas. Foi ridicularizado quando falou da fragilidade do regime iraniano. Hoje, a instabilidade interna........

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