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Hoje (quase) todos criam apps. E têm clientes?

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27.09.2026

Há uma coisa extraordinária a acontecer no mundo da tecnologia e, curiosamente, talvez não seja a tecnologia o que mais importa. Hoje, com a evolução da inteligência artificial e, sobretudo, com aquilo a que começámos a chamar “IA agêntica”, uma pessoa com uma ideia, alguma persistência e meia dúzia de horas disponíveis consegue fazer coisas que, há pouco tempo, exigiam uma equipa de programadores, designers, gestores de produto e umas boas semanas de trabalho. Um site? Faz-se. Uma aplicação? Faz-se. Uma base de dados com uma interface simpática? Faz-se. Um sistema que recebe pedidos, responde a clientes, consulta informação, envia emails e executa tarefas? Também se faz.

E isto é uma mudança muito mais profunda do que a simples aceleração da programação. Durante décadas, o software foi uma espécie de território reservado. Era preciso saber programar para transformar uma ideia num produto digital. Depois veio o no-code, que retirou uma boa parte dessa barreira. Agora estamos a entrar noutra fase: o DIY das aplicações. Não é propriamente no-code. Há ainda alguma técnica, alguma capacidade de formular bem o problema, de perceber estruturas, integrações, dados, segurança e de corrigir aquilo que inevitavelmente corre mal. Mas a barreira de entrada baixou brutalmente.

A inteligência artificial passou a funcionar, em muitos casos, como aquele colaborador técnico que aceita uma ideia mal explicada e responde: “Sim, consigo fazer isso.” E faz. É difícil não ficar entusiasmado. Para quem desenvolve software, a produtividade pode aumentar de forma substancial. Para uma pequena empresa, aquilo que antes custava milhares de euros pode agora ser prototipado em dias. Para um empreendedor, a distância entre a ideia e o primeiro produto diminuiu. Para um utilizador comum, a possibilidade de construir uma aplicação deixou de parecer uma coisa reservada a engenheiros. É, em muitos aspetos, extraordinário.

Mas há um pequeno problema: toda a gente pode construir. E quando toda a gente pode construir, construir deixa de ser a principal vantagem competitiva. Esta........

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