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Wokismo: uma seita sem líder

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02.01.2026

O wokismo apresenta-se como um despertar moral, mas funciona cada vez mais como uma ortodoxia que não admite dissidência. Não tem um fundador, nem uma hierarquia formal, nem um livro sagrado e, ainda assim, impõe dogmas, define pecados e pune hereges. Quem questiona não é debatido; é silenciado. Quem discorda não é refutado; é rotulado. Como em qualquer seita destrutiva, a causa torna-se intocável, a dúvida transforma-se em falha moral e o medo da exclusão substitui o pensamento crítico.

À partida, os objectivos proclamados até parecem legítimos: denunciar as injustiças, proteger as minorias, corrigir as desigualdades. O problema surge quando esses objectivos passam a justificar qualquer meio e quando a sensibilidade moral se converte num critério absoluto de verdade. O wokismo deixa então de ser uma consciência crítica e passa a funcionar como um sistema moral fechado, completamente imune ao escrutínio.

Como explica Jonathan Haidt em The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion, quando uma causa entra em “modo sagrado”, deixa de poder ser avaliada racionalmente. Qualquer crítica é percebida como ataque moral. É exactamente isto que se observa hoje em dia: certas ideias tornaram-se indiscutíveis, não por serem verdadeiras, mas por serem consideradas virtuosas.

Este funcionamento é ainda mais visível na forma como o wokismo lida com os factos. Raramente os nega; antes, subordina-os à narrativa. A História é julgada com categorias morais actuais. A ciência é aceite ou rejeitada conforme confirma determinadas ideologias. A linguagem é policiada como se........

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