Incógnitas e impasse
Comecemos pelas incógnitas. Não é segredo para ninguém que os juros da dívida pública estão a aumentar por esse mundo fora. Se em meados de Agosto, Portugal parecia longe de um furacão em formação, este aproxima-se. É certo que a dívida pública portuguesa tem descido face ao PIB nos últimos anos, mas também é verdade que o feito se deveu ao crescimento do PIB e não à descida da dívida, menos ainda da despesa que, pelo contrário, não deixaram de aumentar. Ou seja, caindo o PIB (ou se não crescer mais do que sobe a dívida) o problema volta e em força.
A juntar-se aos juros da dívida, a inflação está em crescendo. Também não é segredo para ninguém que mais inflação pode ser positivo para quem tenha uma dívida elevada porque o PIB aumenta com a inflação, logo a dívida pode descer face ao PIB. Mas uma vez mais, se descer será porque o PIB aumenta de forma automática, logo artificial. O que pode parecer positivo, não deixa de comportar um risco elevado. Além de que a inflação tem o seu lado negativo até para os estados mais endividados na medida em que os juros aumentam, logo o preço do dinheiro sobe, logo a própria dívida pública cresce. A inflação é um cancro tão grave quanto a dívida e quando as duas se juntam alguma coisa explode.
De acordo com os últimos dados, a venda de casas em Portugal está em queda. (Isto apesar de os preços continuarem a aumentar.) Ainda não se conhecem quais os motivos, pelo menos os mais directos, se a procura caiu e se caiu porquê, se é por haver menos estrangeiros à procura de casa em Portugal se é........
