Postal de Natal a meia-luz
Chego à terra (com o prazer de poder ter uma “terra” que nomear e a que chegar) para os dias de Natal e estranho a escassez de luzes. Não há forma de medi-lo – não ao alcance de um cidadão banal -, apenas como comparar com as imagens impressas na memória de Natais passados. Dificilmente, uma informação podia ser menos subjectiva; é mera – para usar uma das palavras do ano e, em geral, do nosso tempo – percepção, mas parece dar corpo visível a uma sensação crescente nas últimas semanas e nos últimos anos: o apagamento do Natal. O processo da sua trivialização ou desencantamento (a dessacralização já tinha acontecido há muito, mas tinha sido substituída por um encantamento mais ou menos pagão, mais ou menos heterodoxo, tempo sincrético aberto a todas as fés e manifestações de um conjunto de valores, apesar de tudo, razoavelmente comuns).
É estranho quando somos sempre nós a terminar as conversas com as “boas festas” com que antes nos sentíamos positivamente bombardeados de toda a parte. No fim de uma compra ou à saída do café, na despedida de um encontro com um amigo ou de uma reunião de trabalho que, “em princípio”, “se não nos virmos antes”, votos de “bom Natal”. Olham-nos com uma certa surpresa, agradecem com atrapalhação, nalguns casos apanhados tão desprevenidos que nem se lembram de devolver. É como se, de repente tivesse havido um fenómeno de amnésia colectiva, ou, pelo menos, um factor qualquer de distracção que nos........





















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