O som do silêncio
“O silêncio é de ouro”, crescemos a ouvir dizer. Mas, na sociedade do ruído em que hoje vivemos – e apesar de se saber que o ouro atinge, por estes dias, máximos históricos – o dito popular parece ter perdido todo o valor. É suposto falar, toda a gente, a toda a hora, ocupar o vazio, sob pena de deixar que outro tome conta do espaço, “controle a narrativa”.
É complicado, desde logo porque, se estiverem todos a falar ao mesmo tempo, ninguém se entende. E depois: se estamos todos a falar, quem resta para nos ouvir?
À entrada para a segunda volta das eleições presidenciais, uma parte da intelligensia nacional exige que a outra se pronuncie. Fale agora, ou seja, talvez, fascista para sempre. Mas o pronunciamento, neste caso, a “fala”, já tem dia e local para acontecer: num domingo de Fevereiro, daqui por pouco mais de duas semanas, nas urnas, em forma de cruz num boletim de voto. Que todos “falem”, se “pronunciem”, é, nesse sentido, a natureza........
