O direito à burqa ou o grande relativismo blasé
Estamos a ficar antigos, caro leitor. Lembra-se daqueles idos remotos de 2001, quando, a seguir ao 11 de Setembro, a maioria de nós ouviu, pela primeira vez, a palavra “talibã”? E de como nos indignámos então quando descobrimos a burqa, símbolo máximo do fundamentalismo desse regime extremista, que negava às mulheres não apenas o direito a votar, conduzir ou andarem sozinhas na rua, mas a serem vistas, a terem direito a um rosto, um corpo, uma escolha, reduzidas a não existirem senão enquanto posse de um homem que tudo pode e tudo decide?
Ah, como o tempo passa… Parece que foi ontem e, no entanto, eis-nos, aqui, em Outubro de 2025, a organizar manifestações em Lisboa pelo direito ao uso da burqa e comentadores, na televisão, a apreciar em tom blasé que isso não é um problema nosso, que quase não há burqas em Portugal, que não passa tudo de uma manobra para desviar a atenção das pessoas dos “reais problemas do país” e que, no fundo, vamos lá ver, algumas delas até gostam, querem andar de burqa, o que é que nós temos a ver com isso? Temos mas é de respeitar os costumes e os símbolos religiosos dos outros.
Sim, o tempo não passa só para os outros. Enquanto alguns regimes andavam violentamente para trás no tempo, adoptando leituras radicais do Islão, vendo no Corão o que nunca lá esteve escrito, voltando a confundir deliberadamente poder político e religioso e alimentando uma........





















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