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Democracia para adopção

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05.12.2025

Não tente pensar nos verdadeiros poderes que tem um Presidente da República – tudo lhe pareceria, provavelmente, um pouco ridículo. A forma como começamos a discutir estes assuntos com anos de antecedência, as horas diárias dedicadas na imprensa a acompanhar campanhas e debates ao milímetro da declaração ou potencial erro fatal, as análises científicas, o comentário levado ao nível da autópsia, as sondagens de toda a sorte e a própria vontade com que os candidatos competem pelo lugar. O processo é desproporcional ao resultado. Tudo isto só faz sentido porque não é bem um Presidente que procuramos, mas um pai. O ancião da tribo. A escolha natural, muito mais do que uma disputa eleitoral.

O regime consagrado na nossa Constituição casa-nos com o governo. Todos os dias coabitamos com ele, com as suas decisões, com a sua gestão da casa e das contas, com as suas manias – até ao dia em que nos sobe a mostarda ao nariz e, então, ele pia de novo mais fino e tenta reconquistar com gestos românticos, como uma nova auto-estrada ou uma ligeira descida de impostos. Não poucas vezes, fruto dos tempos, a coisa dá em divórcio. Litigioso. Corremos para os braços da oposição da forma mais........

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