menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A menos curiosa das criaturas

7 1
28.11.2025

Nunca fomos tão longe para descobrir o que já sabemos.

Todos os anos, as companhias aéreas comerciais fazem 40 milhões de voos, transportando mais de 4 mil milhões de passageiros – numericamente, metade da população mundial a visitar a outra metade. Deveríamos estar a ficar mais próximos, mas há muito que não parecíamos tão distantes.

Viajamos sem saber a língua de quem visitamos ou que moeda usam, indignamo-nos se o nosso cartão bancário não funciona no país de destino ou se não o aceitam nalguma taberna supostamente típica. Falta-nos o ar se o nosso operador de telecomunicações não tem um convénio com uma companhia local; sentimo-nos o homem da pedra lascada sem internet; regressamos chocados se, por acaso, num vilarejo algures, não se encontrava quem soubesse falar inglês. Levantamos voo em direcção a um sítio qualquer quantas vezes sem ter lido ao menos um pouco de um guia de viagem, quanto mais estudado qualquer coisa da sua história ou cultura. Vamos fechados nos nossos headphones, nas nossas sapatilhas de marca, no nosso bom casaco comprado numa multinacional, a dizer com a mochila, milimetricamente feita para levar tudo o que não nos pode faltar, sem pesar demasiado nas costas. Instalamo-nos no hotel recomendado pelo visitante ou em cuja cadeia........

© Observador