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Portugal desaparece quando facilita  

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10.01.2026

A União Europeia gosta de repetir que é uma potência. E é, nos gráficos, nos relatórios, nos comunicados. Mas a História recente é cruel com quem confunde dimensão com decisão. A UE é grande no papel e hesitante quando alguém bate com o punho na mesa. Não porque lhe faltem valores, mas porque lhe falta estômago estratégico. Não nasceu para ser império; nasceu para evitar a guerra. O problema é que o mundo deixou de partilhar essa vocação.

Quando a força regressa ao centro do jogo – como regressou com a Crimeia em 2014, com a Ucrânia em 2022, com a coerção económica chinesa, com a linguagem imperial explícita dos Estados Unidos em 2025–26 – a União Europeia responde como quem pede calma a um incêndio. Produz normas quando outros produzem factos. E depois surpreende-se por ser contornada.

A UE funciona como uma máquina de atrito: atrasa, encarece, desgasta. Não como uma máquina de choque. E isso significa que só protege quem sabe usá-la como instrumento, não quem se esconde dentro dela à espera de proteção automática.

A História recente é clara: os países que sobreviveram à pressão de potências maiores não o fizeram por força militar, mas por inteligência estratégica. A Finlândia não enfrentou a Rússia; comprou tempo durante duas décadas, manteve Estado, economia e dignidade, e só entrou na NATO quando o custo de não entrar se tornou maior do que o risco de entrar. Os Estados Bálticos não ficaram mais fortes que Moscovo; tornaram-se politicamente impossíveis de ignorar, elevando o custo reputacional de qualquer agressão.

A Islândia, sem exército, não se ajoelhou quando os EUA fecharam a base em 2006; redesenhou alianças, usou o Atlântico como ativo e não como vulnerabilidade. O Panamá não expulsou os EUA do canal com tanques; fez-lhes pagar décadas de desgaste até que sair fosse mais barato do que ficar. Hong Kong, pelo contrário, acreditou que regras sem capacidade bastavam e foi integrada, legalmente “limpa”, politicamente........

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