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2019 é quando, e se, um homem quiser /premium

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05.01.2019

Perguntaram-me a razão de não ter feito uma crónica sobre o ano que passou, ou sobre o ano que agora começa. A resposta é simples: não mudei de ano no dia 1 de Janeiro de 2019, e pressupor o contrário é uma prepotência que colide com as minhas convicções e, francamente, me ofende. O calendário gregoriano é apenas um instrumento opressor da Igreja Católica Romana, para cúmulo imposto por um Papa que não era sorridente e socialista como o actual. Há resmas de calendários, religiosos ou civis. Os judeus já vão em 5779, os muçulmanos ainda estão em 1440, os persas em 1397, os budistas em 2563, os hindus em 5197, os coptas em 1735, os franceses saudosos da fraternidade e da guilhotina em 227, os chineses em porco (ou galo, ou centopeia – não percebi bem) e por aí fora.

Pessoalmente, considero-me ofendido por todas as imposições acima, pelo que invoco o direito de seguir um calendário próprio. Não é um calendário numérico, nem sequer zoológico. Para simplificar, digamos que me encontro a meio do ano ∂ (lê-se “di-di”, porque decidi assim e eu é que sei da minha vida), e que, daqui a 127 meses dos meus, ou aproximadamente duas horas no sistema métrico, entrarei com festa rija, embora um tanto solitária, no ano ¥ (lê-se “ioiô”). Chega de obedecer a decretos cujos fundamentos me escapam e cujos efeitos desprezam as minhas necessidades e carências, aptidões e valências. É muito bonito garantir o respeito pela identidade sexual e tal, mas falta respeitar as dezenas, talvez........

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