Andamos a regular a IA dos outros
A Europa habituou-se a liderar pelo exemplo. Fê-lo na proteção de dados, na defesa do consumidor, na sustentabilidade. Mas, no domínio da inteligência artificial, começa a dar sinais preocupantes de que trocou a ambição pela prudência e a inovação pela regulamentação.
Enquanto os Estados Unidos aceleram com empresas como a OpenAI, a Google ou a Meta, e a China aposta de forma massiva e coordenada no desenvolvimento de tecnologias estratégicas, a Europa parece ocupar-se, sobretudo, em definir regras para produtos que não criou. O chamado AI Act é o exemplo mais emblemático dessa tendência: um instrumento sofisticado, ambicioso e até necessário, mas que levanta uma questão incómoda — estaremos a regular aquilo que não sabemos construir?
Não se trata de desvalorizar a regulação. Pelo contrário, num mundo onde a inteligência artificial levanta questões éticas profundas (desde enviesamentos algorítmicos à privacidade e ao impacto no emprego) é fundamental estabelecer limites e princípios. A Europa tem, aliás, tradição e legitimidade para o fazer. O problema é quando a regulação passa a ser o........
