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O prazer mora dentro de você

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21.08.2026

Na última sexta-feira não tivemos a nossa coluna Muito Prazer aqui no portal O TEMPO e espero que vocês tenham sentido um pouquinho de falta, porque eu senti muita falta dessa nossa conversa semanal. Eu estava completamente imersa no Despertar Tântrico, que aconteceu no último final de semana no Espaço Mani, um evento que mexe profundamente comigo e que, de tão intenso, às vezes me faz perder até a noção do tempo.

Depois que tudo terminou, fiquei pensando em tantas coisas que foram ditas, sentidas e vividas durante aqueles dois dias que seria impossível colocar tudo em uma única coluna, mas existe uma reflexão que continuou ecoando dentro de mim e que talvez seja uma das coisas mais importantes que eu possa ensinar sobre prazer: o prazer que você procura no outro precisa, primeiro, ser encontrado dentro de você.

Muitas pessoas me procuram porque querem aprender a proporcionar prazer para sua parceria, querem conhecer técnicas, aprender a tocar, descobrir os segredos do corpo feminino ou masculino e, quem sabe, se tornarem grandes amantes, quase como se existisse uma sequência perfeita de movimentos capaz de transformar alguém em um verdadeiro mestre do prazer. Só que, depois de tantos anos trabalhando com sexualidade e observando corpos dentro da sala de atendimento, percebi que se tornar um mestre do prazer está muito menos relacionado à quantidade de técnicas que você conhece e muito mais à capacidade que você desenvolveu de sentir o próprio corpo.

Porque como você pretende perceber a respiração de outra pessoa se mal percebe a sua? Como deseja reconhecer quando um corpo relaxa, arrepia, se abre ou pede para você diminuir o ritmo se você vive acelerado, ansioso e desconectado das próprias sensações? Como pretende oferecer presença se, quando está sozinho, não consegue permanecer alguns minutos consigo mesmo sem pegar o celular, pensar no trabalho, abrir uma rede social ou procurar alguma distração?

Foi justamente isso que algumas pessoas perceberam durante o nosso Despertar Tântrico. Chegaram ao Espaço Mani acreditando que fariam um curso para aprender massagem, técnicas e maneiras de proporcionar prazer ao outro e foram embora compreendendo que a experiência era, antes de qualquer coisa, um encontro consigo mesmas.

Não adianta conhecer dez técnicas diferentes se as suas mãos estão ansiosas, não adianta saber onde tocar se você toca querendo chegar rapidamente a algum lugar, muito menos decorar movimentos se não existe amor, escuta e presença naquele toque, porque o corpo percebe quando alguém está realmente ali e percebe também quando está sendo tocado por uma pessoa cuja cabeça está a quilômetros de distância.

E existe uma diferença muito........

© O Tempo