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O primeiro orçamento do resto das nossas vidas

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25.10.2021

O primeiro orçamento do resto das nossas vidas

Um Orçamento do Estado tão em cima do joelho já era algo desnecessário perante os problemas graves que o país enfrenta, no combate à pobreza, na precarização do trabalho, na degradação dos serviços públicos, na sobrevivência das pequenas e médias empresas face à concorrência feroz das maiores, no imparável envelhecimento da população e crise ambiental.

O capítulo de ontem é de esgotar a paciência. É incompreensível que alguém fique contente com um Orçamento aprovado nos “últimos instantes”, seja de que cor for, quando se percebe que não é possível voltar a haver orçamentos fáceis (se alguma vez foi) num país em que a dívida pública é estratosférica, a economia frágil, a carga de impostos elevada e que para garantir o funcionamento de um Estado Social que o seja mesmo terá de haver um exercício profundo de reinvenção, criatividade, procura de consenso entre várias forças políticas perante maiorias improváveis, com as reformas que tiverem de ser feitas e que pense o hoje e as gerações futuras, sem prometer tudo agora à custa do amanhã. E sem estabelecer como prioridades as que permitem, circunstancialmente, a viabilização, sem que a certa altura do processo se consiga ter bem noção, usando as palavras de ontem da ministra do Trabalho, do que está a ser fechado. Ter duas ministras e um secretário de Estado num domingo à tarde durante uma hora a vender o OE (ao país? aos partidos que o podem aprovar?) e a retratar publicamente o BE, que faz a sua leitura e reivindicações legitimamente, podendo votar o OE como entender, é um exercício pouco digno. Por muito ambiciosa que o Governo considere a sua proposta de OE, é preciso aceitar que outros partidos não a achem.

As propostas deviam vir com análise dos custos, muito bem, fixe-se essa regra. Se a conferência de ontem foi possível porque já há certezas de que o PCP vai viabilizar o OE na generalidade, isso devia ser dito pelo partido e pelo Executivo, não ficando esse talvez no ar mais 24 horas, como se isto fosse um bailado em vários atos em que as pessoas podem........

© Jornal i


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