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A outra pandemia: as alterações climáticas

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27.10.2021

A outra pandemia: as alterações climáticas

Se nada fizermos, se não nos comprometermos com metas mais ambiciosas e com políticas concretas, até 2050 o produto interno bruto mundial será cortado em mais de 23 triliões de dólares anualmente. Se nada fizemos, como avisa Bill Gates, o impacto dos fenómenos meteorológicos extremos será, anualmente, tão mortal como o coronavírus em 2060.

Quando por estes dias olhamos para as notícias em todo o mundo, há dois temas persistentes. A pandemia, com os seus intermináveis números de infetados, vacinados e óbitos.

As alterações climáticas, na forma de cheias ou vagas de calor extremo, chuvas torrenciais ou incêndios dantescos.

Sinto que as últimas semanas deram às pessoas a confiança de que a covid-19 está ganha. A minha intuição é de que não está. E, não estando, podemos desde já tirar algumas lições importantes para o futuro.

A primeira lição é que os governos têm o dever de estar preparados para o pior. Quando as crises estoiram, a defesa da economia, das comunidades e dos cidadãos não pode estar dependente de estados de alma e de planos feitos em cima do joelho. Exigem políticas fortes e compromissos sérios. Os países têm de desenhar e rever, com frequência, os seus planos de contingência.

A segunda lição que a covid-19 nos oferece é que não é muito inteligente ignorar os avisos da ciência. Sabemos o que aconteceu a quem negou a existência da pandemia, a quem questionou o uso da máscara ou mesmo aos que continuam a negar o papel das vacinas na proteção das pessoas.

Enfrentámos uma ameaça global na forma de um vírus traiçoeiro e cobarde. A batalha não acabou. Continuaremos a enfrentar outra ameaça ainda mais letal na forma das alterações climáticas. Teremos já aprendido alguma coisa com as lições da pandemia da covid-19?

Se nada fizermos, se não nos comprometermos com metas mais ambiciosas e com políticas concretas, até 2050 o produto interno bruto mundial será cortado em mais de 23 triliões de dólares anualmente. Se nada fizemos, como avisa Bill Gates, o impacto dos fenómenos meteorológicos extremos será, anualmente, tão mortal como o coronavírus em 2060. E cinco vezes mais letal em 2100.

Com as sociedades em crise, as empresas a fecharem e os empregos a evaporarem, só temos dois caminhos. Ou continuamos a depender dos combustíveis fósseis para acelerar a nossa recuperação económica no curto prazo, não resolvendo nada de estrutural para o futuro; ou, por outro lado, ousamos criar uma economia mais verde que nos garantirá sustentabilidade de longo prazo.

Temos de ter a noção que os combustíveis fósseis ainda estão na base de 83% da procura primária de energia em todo o mundo. Com estímulos económicos em cima da mesa de vários decisores políticos em todo o mundo, é tempo de os governos utilizarem essas cenouras financeiras para incentivarem as economias e as empresas a fazerem uma desintoxicação dos combustíveis fósseis.

Em cada crise há uma oportunidade. E a nossa oportunidade é reconstituir um modelo económico novo, verde e descarbonizado.

Ao decisor político, seja ao nível local ou nacional ou europeu, cabe equilibrar o crescimento orgânico das comunidades com o planeamento sustentável e o desenvolvimento económico solidário.

Em Cascais essa marcha em direção ao futuro já começou. Está em curso uma “revolução verde”. Nos últimos quatro anos criámos 25 hectares de novos espaços verdes. Com grandes parques urbanos como o da Quinta da Carreira; com bosques urbanos como a Ribeira dos Mochos e Outeiros dos Cucos; ou novas zonas verdes na Abóboda e no Bairro Alice Cruz. No moderno planeamento urbano, compreendemos o verde e a natureza como elementos que anulam as assimetrias territoriais, essenciais nas zonas socialmente mais deprimidas.

Muito em breve daremos início aos........

© Jornal i


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