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O dado que não chega

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14.08.2026

«Perguntei aqui, na semana passada, a quem obedecem os dados. Quem lidera tropas devolveu-me a pergunta seguinte, e mais dura: de que serve os dados serem nossos se não chegarem a quem deles precisa, no momento em que precisa e debaixo de fogo?»

Ter dados não é o mesmo que fazê-los chegar. A posse e a lei dizem de quem são. Não dizem que aterram no posto de comando no segundo em que decidem uma vida. Entregar é fazê-los chegar inteiros e a tempo, e negar essa chegada não obriga a cortar um único cabo.

A crónica da semana passada parou na jurisdição, em quem manda nos dados. Faltava a camada que só quem combate põe à cabeça, a da entrega. Foi um alto responsável militar que ma devolveu, e tinha razão. As guerras recentes ensinam-na sem piedade.

Em 2022, sobre a Crimeia, uma operação ucraniana ficou pendurada porque o serviço de satélite de que dependia, de um privado americano, não foi activado à hora, por uma decisão onde a política se misturou com o risco. A ligação existia; a entrega foi recusada, não no cabo, mas no comando do serviço. Em Março de 2025, segundo relatos públicos, Washington suspendeu a partilha de informações e imagens com a Ucrânia, e as fotografias de satélite, que existiam, deixaram de chegar a Kiev. A imagem estava tirada. Faltou deixá-la aterrar.

E há a guerra silenciosa do espectro.........

© Jornal Económico